domingo, 29 de junho de 2008

25 anos de São João em Campina Grande e procuro a grandeza da festa no esgoto.

O fim da festa nomeada O Maior São João do Mundo encerra, em minha opinião, o período da mais forte proliferação dos elementos anti-culturais que melam a cultura nordestina com o que há de mais podre na cabeça de alguns idiotas.
É a Maior descaracterização do São João do Mundo (quem sabe do universo). Nem o mais prostituto filho da mãe da face da Terra poderia imaginar a apenas meio século que a música popular brasileira se tornasse essa gigantesca putaria sem pudor de conteúdo tosco (desculpem o vocabulário, às vezes sinto a necessidade de descer o nível).

Será possível!!!

Na noite de abertura da festa, vem Aviões do Forró, uma porcaria de banda que não faz mais do que uma pornô-chanchada com trilha sonora ao vivo. E cantou seus maiores sucessos: aquela que fala de cabaré, aquela que fala em putaria, aquela que fala em bebedeira e cachaça, a outra que trata de sexo (com gemidos e tudo mais) e aquelas roedeiras de amor de corno. Sem falar naquelas que são releituras de péssimo gosto de músicas internacionais.
E o pior é que a massa gosta disso! É o que mais me revolta! A população, as mulheres, os adolescentes!!! Sem falar que utilizam em seu nome do forró, sujando a imagem do ritmo pelo país inteiro.

E nem se lembra mais por aqui que São João é um santo e por isso a festa tem, queiramos ou não, uma conotação religiosa.

Não vou citar toda a programação do evento, não é esse o objetivo (falar que teve Gatinha Manhosa, Ferro na Boneca, Saia Justa, a péssima Saia Rodada, o retardado Louro Santos, que tocou axé na festa que favorece o forró, Mela Pinto, Garota Safada, etc.).
Evitarei aquela conversa fiada de “não tenho nada contra quem gosta”. Tenho mesmo TUDO CONTRA quem gosta, ora! Se não tivessem idiotas que gostassem de ser chamadas de raparigas, não haveria idiotas que executassem estas atrocidades verborrágicas acompanhadas de trilha sonora repetitiva e débil.

Claro que a festa tem a finalidade inicial do lucro, do lado financeiro de tudo. Afinal de contas, O Maior São João do Mundo foi criado com esta intenção, de elevar a economia deficiente da cidade de Campina Grande. Isto é fato.
O foco da coisa é a música, que não traz absolutamente nada de positivo para a sociedade, para a juventude, enfim, para o bem da nação.

“AHH! MAS EU SÓ ESCUTO POR CAUSA DO RITMO, PRA DANÇAR!!!”

Não importa! O que interessa é que esta imundície polui a cabeça de quem escuta. A música é um fortíssimo agente formador de consciências e o conteúdo é imensuravelmente grotesco. Não adianta dizer que este lixo não tem conteúdo, pois as músicas têm letras que, apesar de podres, influenciam, então têm conteúdo. Existe a conduta dos roqueiros, daqueles que preferem a chamada MPB (na linha Caetano, Gil, Djavan), dos pagodeiros e também dos “forrozeiros”.
A música tem poder e infelizmente neste caso está sendo utilizada para sujar a nossa sociedade.

Eu conheci um sul rio-grandense que afirmou só conhecer Calcinha Preta e Aviões do Forró de bandas de forró enquanto ainda habitava no seu estado. Isto é uma pena, pois a fuleragem se expande ao mesmo tempo em que promove a repulsa pelo forró daqueles que não conhecem a nossa cultura.

É uma pena ter de conviver com isso todos os dias, em todos os momentos.

Faltam-me palavras para exprimir meu descontentamento e minha indignação neste momento.
Aos caras que fazem essa “música”, desejo boa sorte, pois a jornada deles não é longa. Uma hora, essa onda vai se desfazer. O problema são os resquícios deixados, que sempre dão novos frutos.

O verdadeiro culpado pela poluição não é o lixo, e sim os que consomem o produto que o gerou. Por isso, à população alienada e imbecilizada eu desejo melhoras.
E até o próximo ano!

Lei contra bebida nas rodovias brasileiras: fogo de palha

Assinada no dia 19 de junho de 2008 pelo presidente da República, Luís Inácio da Silva, a nova lei contra bebida nas estradas do país é uma das polêmicas mais açucaradas do momento.
Em um primeiro momento, a lei é belíssima, uma ótima intenção; com certeza uma das mais promissoras, já que muitos acidentes acontecem por conta de embriaguês. Todo mundo sabe que não é aconselhável beber antes de dirigir. O álcool afeta diretamente o sistema nervoso central do indivíduo, interferindo negativamente na coordenação motora e nos reflexos.

Sendo a bebida alcoólica uma grande causa dos acidentes de trânsito no Brasil, já estava mais que na hora de alguém tomar uma atitude enérgica em relação a este contexto. A partir de agora, quem estiver conduzindo um veículo com o mínimo de teor alcoólico no organismo (2 decigramas de álcool por litro de sangue, o equivalente a um chope), terá de pagar uma multa de 955 R$ e no flagrante, perde a sua carteira de habilitação. Além do que, se o cidadão beber o equivalente a dois chopes, a punição será acrescida de prisão de seis meses a três anos.
Mas é necessário que enxerguemos destas informações que já são veiculadas desde o dia 19. Será que esta será a definitiva solução para o problema da combinação álcool e direção? O que os brasileiros estão achando desta nova lei? Quais serão os seus efeitos na sociedade?

Como alguém que não tem esperança de que o país vai um dia melhorar, acredito que esta nova lei (apesar da ótima intenção de reduzir uma estatística lastimável) vai ser somente mais um alimento para a pança da corrupção no Brasil.
Quem bebe, é óbvio, achou a lei muito rígida; quem não bebe e se sente ameaçado por um trânsito permeado de bêbados imprudentes, crê que a lei será a solução para seus problemas.

Prisão?!

Será esta a melhor alternativa para este caso? Num país com população carcerária que pede socorro por não ter onde pisar!
Pense na quantidade de policiais corruptos que temos na nossa sociedade...
E o caso do cidadão que nunca colocou uma gota de bebida alcoólica na boca mas por comer alguma coisa que continha álcool, foi preso e vai ter que iniciar um processo na justiça para limpar sua ficha!
Quem bebe deve pagar sim! Mas aqueles que se sentem donos da lei com certeza irão lucrar bem mais do que punir os verdadeiros infratores.
E quem já viu um riquinho ser devidamente punido pelos seus erros cometidos? Duvido que algum filhinho de papai fique preso por dirigir inebriado. Duvido que eles paguem. Os de condição financeira inferior sim, esses vão pagar.

Todos são iguais perante a lei sim, mas a lei é que não é igual perante todos.

Não acredito de maneira alguma que isso vá resolver os problemas das estradas brasileiras. A verdade é que nada disso funciona no Brasil, porque o jeitinho brasileiro sempre está por aí pra sujar a boa conduta.
Duvido que algo mude sem que os verdadeiros responsáveis por toda a situação que desencadeou a lei tomem consciência: o povo. Se o povo não tomar noção da sua responsabilidade ao volante, esta lei vai fazer efeito enquanto durar a polêmica; depois vai passar a ser só mais um fator pra contribuir com os jogos sujos de quem não tem compromisso com a prudência e com quem se alimenta da corrupção.

sábado, 28 de junho de 2008

Valei-me, São João!

Não é o ideal, logo eu falar em festejos. Mas, tendo em vista a evasão fruto das férias que nos assolam e a minha inquietação quanto ao assunto, achei por bem tratar, neste, das comemorações do mês de junho. Há que se reconhecer, o esforço é considerável, embora as intenções sejam diversas. Comemorar não se sabe exatamente o quê durante um mês inteiro é coisa a se admirar. Eu me admiro, pelo menos.

Sim, eu sei, as justificativas são sempre as mesmas anualmente. A economia pede, o turismo aquece o comércio, a cidade também precisa de eventos culturais deste tipo para manter-se. Justamente este o problema: a motivação primeira é, agora, puramente financeira. E não me venham com discursos prontos do capitalismo, prerrogativas para justificar a falta de originalidade que o sistema inevitavelmente implica.

Embora não seja a pessoa mais envolvida em manifestações culturais regionalistas, admiro e apóio a celebração à tradição e à cultura de raiz. Contudo, não é bem isso que eu vejo nesses “trinta dias de festa”. Para os mais farristas, a oportunidade é ímpar, sem dúvida. E eu, que das festas só consigo aproveitar as escassas conversas interessantes, fico procurando, feito cego, as manifestações culturais que servem de apelo aos turistas. Pura propaganda enganosa.

Gostaria mesmo de ver as comemorações espontâneas, sem planejamentos orçamentários, nem música artificialmente formulada para agradar uma multidão que deveria vir para desfrutar das atitudes naturais da cultura local. Tudo se resume a uma competição boba, entre cidades que podiam muito bem unir-se para algo maior. Em lugar disso, disputam para ver quem tráz o forró descartável mais em cima nas paradinhas de sucesso.

Antes fosse só a música. Fui ao Salão do Artesanato, localizado ao lado do Shopping Iguatemi, e lá encontrei réplicas de cangaceiros ornados com strass e uma mesa pela bagatela de R$ 2.300. Só turista mesmo, que não sabe bem o que é tudo aquilo e, muito pior, não sabe o que tudo aquilo deveria realmente ser, para pagar tanto por uma mesa informe, mas chique demais por ser considerada “rústica” por “quem entende de estilo”.

O Maior São João do Mundo, em Campina Grande, ganha cada vez mais modismos e perde cada vez mais charme.

terça-feira, 24 de junho de 2008

Geração de emprego através do transporte alternativo

O transporte alternativo se faz presente facilitando a locomoção da população, oferecendo geração de emprego e certa comodidade para quem mora distante dos grandes centros. Durante os festejos juninos, graças ao grande fluxo de pessoas na cidade os motoristas alternativos conseguem garantir um bom faturamento, já que as frotas de coletivos disponíveis são insuficientes para servir com qualidade e rapidez.

Apesar das árduas noites de trabalho, os motoristas ficam satisfeitos com a procura por seus serviços nessa época do ano. O São João garante, além das madrugadas em claro, uma fonte de geração de emprego com o transporte, a exemplo dos moto-taxistas, também irregulares em sua maioria.

Seu Dermeval dos Santos, 50, morador do bairro das Malvinas, é transportador em uma empresa de eletricidade. Quando sobra tempo, ou falta emprego, complementa sua renda com o transporte alternativo.

Ele acredita ser muito complicado trabalhar neste ramo, pois precisa sobreviver na ilegalidade e quando se é pego pela fiscalização, pode ser aplicada multa ou até mesmo haver a apreensão do veículo.

Com orgulho, demonstra ser defensor enérgico da legalização do transporte alternativo, pois como afirma “não faço nada irregular, só estou trabalhando. Meu carro é legalizado, não estou roubando ninguém e as pessoas usam o serviço por livre e espontânea vontade, não estou forçando ninguém a ir comigo”.

Seu Demerval conclui seu pensamento questionando o porquê de “um cidadão de bem, que paga seus impostos, é pai de família e precisa de um emprego, ter que estar fugindo da polícia? Que país é este, onde não se tem condições de trabalhar para sobreviver honestamente?”.

quinta-feira, 19 de junho de 2008

INOCHI

Há um século fomos batizados com uma cultura – dentre as inúmeras que fazem parte dessa coisa meio que generalizada demais, porém tão particular justamente por esse motivo, que é a identidade brasileira – a qual, por razões alheias ao meu conhecimento consciente, sempre me interessou bastante. E quando aprendi um ideograma no idioma desse povo, graças a uma amiga que me instigou a curiosidade, senti-me satisfeito por dominar ao menos um dos incontáveis caracteres da escrita japonesa.

INOCHI (命) foi o que descobri, cuja significação traduz-se por “vida”. Uma vida que começou em junho de 1908, no porto de Santos, São Paulo, ao desembarcarem do Kasato Maru 781 vidas que buscavam um recomeço para a vida que fora levada pelo impacto atômico da guerra.

A terra do sol nascente deu seu jeito de florescer aqui e, cem anos depois, me encanto com a idéia de que também posso ter, enquanto brasileiro nato que sou, uma ínfima porção dessa cultura tão serena e encantadora correndo em minhas veias. E qual a criança que, hoje, não se agrada daquilo que mais comumente se importa de lá, os quadrinhos (mangas) e as animações (animes)? Foi assim que comecei a me aproximar desse povo. Pena que seja somente isso que se vê mais amplamente difundido, além da chocante idéia de se comer peixe cru.

De certo não há só isso para se admirar no Japão, e devo admitir minha curiosidade acerca do país. Tem até príncipe herdeiro que, por sinal, veio comemorar o centenário do ingresso do seu país no nosso, aqui também.

Tem gente que repudia essa invasão. Dizem que somos diferentes demais para sermos compatíveis. Discordo totalmente, uma vez que já somos formados parte por eles e, além do mais, aceitar modos de vida diversos não implica necessariamente em desprezar o próprio. Parabéns ao Japão por toda essa vida que, deles, também influiu para moldar a nossa INOCHI (命).