domingo, 2 de novembro de 2008

Garotos de Programa

Fazendo propaganda indevida em local indevido (hein?), acaba de ser criado um podcast dos Garotos de Programa, repetindo indefinidamente nossa "atividade" para que nao se "satisfaz" com pouco.

Acessem e divulguem, mesmo sem gostar - porque a gente entra no ar e em outros lugares mais nem que seja à força.

http://www.garotosdeprograma.mypodcast.com/

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

"Sempre foi meu desejo comer o cu desse povo" - JQ

Estou lendo agora o livro Agruras da lata d'água, de Jessier Quirino (JQ), poeta matuto da cidade de Campina Grande.

Qualquer livro deste poeta é com certeza uma obra destas que deve ser considerada um verdadeiro tesouro que guarda toda a arte contida na nordestinidade do nordestino.

E não é redundância não!! O povo nordestino tem uma característica muito pessoal, que não é presente em todas as regiões do nosso país.

E o que Jessier faz é justamente apresentar a originalidade nordestina em forma de poesia. Uma poesia engraçada, satírica e ao mesmo tempo séria e questionadora.

Portanto, mando este poema pra quem fez tanta festa em cada lugar do país nestes últimos tempos de eleição. E principalmente para os que REelegeram os seus prefeitos! Esta é uma adaptação do poema dele contido na introdução do livro (Entre o pente e o repente) ao contexto no qual estamos inseridos neste período pós-pleito eleitoral:

Sempre foi meu desejo comer o cu desse povo (Jessier Quirino - Agruras da lata d'água)

Assim que saio eleito
No fim duma apuração
Me dá muito mais tesão
Por o povo ter-me aceito
Se fui eleito prefeito
Com o voto deles de novo
Eu pago com um par de ovo
Um taco duro e gracejo:
Que sempre foi meu desejo
Comer o cu desse povo...

...Vou me mantendo fiel
A este povo bundeiro
Sou político verdadeiro
Neste país de bordel
E desta lua-de-mel
Sei que jamais me demovo
E sendo eleito de novo
Com em grosso e varejo
Pois sempre foi meu desejo
Comer o cu desse povo.

Tem outra pérola da mesma obra que também deve ser colocada em evidência aqui. Esta vai para o putaréu politiqueiro do país bordel, Brasil forniqueiro:

Conversa de bastidor (Jessier Quirino - Agruras da lata d'água)

Pra mandar tudim pra PQP
Não pudemo se quer, se PDT
Que é mode o PSB
Amuntado no PV
Não vir se aliançar.

PC-dê-Bando a hipótis
Dum PT, sem muito T
Nem que a legenda se mele
Ou de PF ou de L
Feito PMDB

Antes que o pau recomece
Vai assim assuceder:

PMN não muda
Já desanda o PTB
PSDB tira o S
Logo depois tira o B
No mei desse sururu
Nós pega o F e o U
E acunha tudo no D.

Até me inspirei agora e escrevi uns versos!!Segue aí o Canto eleitoral (De eu próprio)

VIVA A DEMOCRACIA BRASILEIRA
ATIRADA NO RECANTO DA RIBEIRADE LAMA E DE BOSTA
QUE PISA NO POVO QUE GOSTA
DA PUTARIA ELEITOREIRA

E NOS TEMPO DE ELEIÇÃO
FAZ FESTA, CARNAVAL
DO CACETE PARTIDÁRIO TELEVISIONAL
PRA DEPOIS VER OS BEIJO DOS PUTO
E FINGIR QUE É TUDO NORMAL

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Vocês querem a felicidade????

Adoro observar as conotações dos tempos de eleição, sabiam? Morro de rir, só que não exatamente de felicidade.

É um tempo no qual eleitores e candidatos fazem do exercício da democracia (finjo que sei e acredito que todos saibam o que é isso) um CARNAVAL! Mania de brasileiro fazer de tudo um carnaval...


Claro que se levarmos em conta o período em que o país permaneceu mergulhado nas trevas do Regime Militar - de 64 a 85 - hoje devemos mesmo nos felicitar por sermos livres no que diz respeito ao direito de escolher os políticos.

Só que me incomoda profundamente o fato deste “carnaval” ter na sua essência (como todo carnaval) a capacidade de embriagar os cidadãos, com sua música contagiante e o colorido das fantasias (deixemos de lado, por enquanto, a birita, a água que passarinho não bebe). Pois bem, este carnaval das eleições embriaga os cidadãos de uma forma que os faz esquecer o verdadeiro propósito de irmos às urnas escolher os candidatos.


É uma farra de cores tão imbecil que polui as cidades e impõe a você, que veste uma das suas camisas de cor semelhante à cor de um dos candidatos, o título de “eleitor do fulano tal” (o que possui a cor de campanha igual à da sua camisa). Minha mãe foi vítima do jogo das cores, quando chegou na repartição que trabalha com a cor do candidato da oposição.
Falemos do barulho... não há um cristão sequer que respeite a pobre lei dos decibéis – aquela que proíbe muito barulho em determinados horários, locais, etc. Poluição auditiva é um terror. E as músicas?! Plágio!!!! E a maioria é uma dor no saco! Até admiro a criatividade de uns, mas a maioria é LIXO.


Não vamos esquecer da imundície que se tornam os meios de comunicação, abarrotados de blá blá blá desses que você não agüenta ouvir quando sai à porta de casa e aquela vizinha velha está proferindo, num tom de FOFOCA e intriga.

Ai, ai...

Olha, não tem frase que mais represente esse período pra mim do que uma da banda Engenheiros do Hawaii, que diz: “Não vemos graça nas gracinhas da TV, morremos de rir no horário eleitoral”.

Minha família adora se reunir na sala para assistir as propagandas eleitorais dos candidatos (principalmente a dos candidatos a vereador), mas não para ver propostas, que é mesmo o que menos se vê por aí, mas para rir das figuras pitorescas que se apresentam duas vezes por dia.

E eu digo: se Deus realmente castiga os pobres pecadores que somos, ele com certeza decidiu fazê-lo inventando o horário político-partidário gratuito eleitoral!

Cacetada!!!

Termino com duas frases interessantes para aqueles que se embriagam com o segundo carnaval brasileiro:

As eleições são um circo no qual os animais se reúnem para promover uma luta no picadeiro, enquanto os palhaços aplaudem e se exaltam sentados na platéia.

E agora pra cá, as eleições de Campina:

Vamos para o segundo tempo de um jogo em que a torcida pensa que ganha algo quando seu time vence, mas na verdade me digam: quando seu time vence o jogo, o que você ganha?

Vocês querem a felicidade?

Pois aproveitem enquanto ainda estão embriagados, pois um dia depois do carnaval a ressaca vem e dura pra sempre.

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Faz-me rir, candidato!

E ainda querem que eu acredite que política, no Brasil, é coisa séria. Não acredito. Menos ainda em tempos de campanha política.


É bem verdade que o humor televisivo, nas emissoras brasileiras, não está de todo hilário ultimamente. Mas pra que se irritar com a sem-graça do Zorra Total da Globo, quando se pode assistir ao guia eleitoral gratuito?


Muito mais freqüente e muito mais engraçado. Personagens de todos os estilos, os tipos mais curiosos estão lá. De uma criatividade que beira o absurdo, os candidatos – principalmente a vereador – exalam um humor ao mesmo tempo sacana e ridículo. Dá pra rir sem parar durante a meia hora obrigatória que tira o sossego da programação da TV aberta, seja pelos slogans cretinos, seja pelos “nomes artísticos” inovadores (essa mania de pensar hollywoodiano há muito já invadiu a política, também), ou ainda quando se ouve a infâmia deslavada de que “sou candidato limpo em meio a toda essa podridão evidente, caro eleitor!” Faz-me rir, candidato!


Não bastasse o show de humor na TV, nas ruas o que se ouve em tão famigerada época de eleições são as maiores pérolas do cancioneiro popular. Paródias magníficas dos maiores nomes da música brasileira. Porque período de campanha eleitoral é poesia pura!


É tragicômico por excelência. Faz-me rir candidato. Que é pra eu me distrair agora, me aliviar antecipadamente dos quatro anos de irritação profunda que tu ainda vais me dar.


segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Algum título imbecil sobre uma mídia idem

Reaproveitamentos de trabalhos são exaustivamente gratificantes, do "ponto de vista" de que não apenas um #$!@# de um professor irá ler o que você desperdiçou tempo pra escrever.
Publico porque talvez tenha alguma coisa interessante pra vocês.

***

Segundo o sociólogo francês Pierre Bourdieu (nessa parte finjo que já o li), a mídia, os jornalistas ou a imprensa, como um todo, se permitem influenciar pela busca incessante pelo extraordinário, ou seja, fatos de repercussão nacional e internacional e dos quais acaba tornando-se subserviente.

Devido a essa busca pelo atípico, o que da mídia captamos é meramente e diariamente o ordinário, garantido pela repetição exaustiva das mesmas notícias "extraordinárias", "bombásticas" (com B) ou "catastróficas".

Embora a invasão de Isabelas, Champinhas, Von Histofens, PMs capacitados a matar inocentes e, mais recentemente, uma onda de bebês saltando de janelas; embora tal seja praticamente impossível de se evitar ao perpassar os órgãos de comunicação - é notícia vendável -, devemos à imprensa não apenas a informação que esta transmite, como também nossa alienação criminalística: o "culpado" acaba sendo o antagonista da novelinha que a mesma mídia nos apresenta.

É de sensacionalismo e denuncismo barato que vive nossa imprensa, a velha política do pão e circo que estamos adaptando.

domingo, 14 de setembro de 2008

Selva de Pedra

Recentemente estive presente em uma palestra intitulada “Marketing Pessoal”, e até agora me pergunto o porquê de ali ter ido parar.
Acaso ou não, depois de passar aproximadamente quatro horas assistindo a tal palestra, mais uma (e rara) certeza tenho nessa vida: odeio o capitalismo selvagem.
Dentro desse segmento (se assim pode-se chamar) do sistema capitalista as pessoas se transformam em máquinas cujas funções se limitam ao ciclo do produzir, vender e consumir. E para isso são treinadas por indivíduos que se mostrando “bem-sucedidos” pregam o caminho do sucesso através de lições metódicas e superficiais que incitam a massa a acreditar que só alcançarão a “felicidade” quando enquadrarem-se no sistema.
Quando é dito:
“Hoje expandirei meus negócios”-na verdade se quis dizer:
“Vale a pena passar por cima de qualquer pessoa para atingir meus objetivos”.
“O cliente é a pessoa mais importante”- o objetivo foi ensinar :”Você vale o que você tem”.
E a meu ver, a pior de todas: ”Penso, logo vendo.”.
Coitado de René Descartes deve estar até agora se remexendo no além!
Para quem teve a sorte (chance) de entrar em contato com pensamentos e teorias que pregam alguma igualdade possível, ou mesmo para quem têm uma moral digna de apreciação, tudo isso parece um verdadeiro espetáculo circense, com leões e dominadores, ops, domadores dispostos a tudo para chamar atenção (leia-se vender).
Meu desejo de mudar de mundo aumentou ainda mais. Será que consigo vaga no foguete da Nasa com destino à Marte?
Até lá, o jeito é agüentar e me adaptar.


“Eu aprendi, a vida é um jogo, cada um por si e Deus contra todos,
Você vai morrer e não vai pro céu, é bom aprender a vida é cruel...”.
(Homem Primata, Titãs).

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Mais uma do macho

É que o homem sempre fica com toda a diversão. Sorte minha que nasci com algo a mais entre as pernas. Gerações vêm e vão e os privilégios masculinos só aumentam, ganhado cada vez mais roupagens ao longo da evolução do descaramento do macho.

Inventaram agora uma tal de Lei Seca, que só veio para confirmar as minhas suspeitas de que, não importa o quanto o discurso feminista se esgoele, o homem sempre dá seu jeitinho de ficar por cima (em todos os sentidos). Se for um homem brasileiro então, aí a coisa fica preta. Aquela sacanagenzinha masculina somada á malandragem que é inata a quem no Brasil se cria dá origem ao que posso chamar de “o natural engana trouxa”. A mulher é a trouxa sempre, coitada.

Perdoem-me as senhoras, mas caíram numa nova sacanagem sexista depois dessa Lei Seca. Ouvi em várias reportagens que, depois desta, a mulher assumiu a direção. Pobre iludida! Se liga no migué: O homem, que não é besta nem nada, vem com a historinha de que tem confiança o bastante para ceder-lhe o banco esquerdo do carro, esse território sagrado no qual, até então, o pênis era ditador. Aí o cara enche a cara à vontade, e agora mais ainda, já que não tem que se importar de se preocupar em dirigir, aquela pontinha de consciência que todo bêbado ignora mesmo – por conveniência.

Se antes o homem dizia “Posso beber o quanto quiser, sou ótimo motorista!”, o discurso virou outro: “Posso beber o quanto quiser, agora eu tenho chofer!” Mas é necessário, claro, que o terreno seja preparado antes: “Amor, vamos sair hoje à noite? Eu deixo você dirigir.” E a mulher, empolgada, aceita como uma criança que finalmente pode usar um brinquedo que é seu, mas que o pai não largou desde que a presenteou.

Eu não entendo. Agora elas ficam a noite inteira no seco, só olhando eles encherem a cara, e ainda há quem queira achar que isso é justo? A solução, eu suponho, para fins de igualdade dos direitos sexuais, seria permitir que menores de idade guiem. Desse jeito, as crianças, que não devem beber (né?), passam a participar mais da vida social dos pais, o que tornaria as relações familiares muito mais produtivas, e ambos, o homem e a mulher, poderiam encher a cara livremente, dando às novas gerações, assim, um belo exemplo de integração e respeito às leis.

domingo, 7 de setembro de 2008

Um olhar sobre o pré-sal


As recentes descobertas de gás natural e petróleo na camada de pré-sal, entre 5 e 7 km de profundidade, nos campos de Jubarte e Tupi, respectivamente nas bacias de Campos e Santos, em regiões ainda pouco estudadas e pouco exploradas, estão trazendo grande furor e expectativa tanto á população brasileira bem como ao mercado econômico interno e externo, mas para extrair os recursos é necessário constituir um modelo de exploração para determinar as diretrizes que deverá seguir, como também definir se a Petrobrás irá ser a única empresa a atuar na produção, e se o Estado será ativamente participativo no concurso. Outro fator é com relação às áreas já leiloadas para empresas privadas, que seriam exploradas arbitrariamente sem a regulação do governo. A formação de uma nova estatal para gerir o pré-sal, gerou polêmica já que deixaria em escanteio a manda-chuva Petrobrás, mas essa opção já foi descartada por Lula. A Petrobrás que por sinal está se revelando mais uma multinacional do que puramente uma estatal, com ativos em diversos países, a empresa também obtém lucros estupendos vendendo áreas de exploração para organismos privados. 

Para o presidente, o principal beneficiário tem de ser o povo brasileiro que segundo a constituição é o real detentor do petróleo sob a figura do Estado; os planos de Lula para com as reservas do pré-sal são ambiciosos e utópicos no sentido em que pretende acabar com a pobreza no país e ainda investir tudo o que o Brasil nunca investiu em educação. Toda essa pretensão esbarra na opinião bem fundamentada de alguns especialistas em economia que dizem ser inviável custear desenvolvimento e projeção social instantaneamente com os recursos provenientes do petróleo, e mais, uma adição tão grande de capital na economia poderia ser infinitamente mais nocivo ao câmbio, repelindo investimentos privados, geraria inflação e aumentaria de sobremaneira as importações, desfavorecendo o mercado interno, tudo isso tem sim uma relação de causa bem coerente, além disso, é fato que todos os países membros da OPEP são pobres, desiguais, centralizadores e com baixos índices sociais, assim como são as demais nações exportadoras, assim como é o Brasil, quando há 55 atrás Getúlio decretava que "o petróleo era 'nosso'".

Nesse entretempo de descobertas no pré-sal e previsões visionárias do futuro, nosso governo parece ter esquecido tudo o que se pôs a mesa de negociações com os biodieseis, não se ouve, se fala ou se lê mais nada sobre biocombustíveis; alguns que defendiam o louvável discurso ambiental que se fez em torno das energias limpas e renováveis, enfiaram a mão no óleo escurecido e seguraram a bandeira do pré-sal como forma de desenvolvimento a todo custo, sem cuidados ambientais. É uma grande responsabilidade determinar onde serão investidos os trilhões oriundos da comercialização da commodity, afinal, o que realmente se espera é que não sejam cometidos os mesmos erros de cinco décadas atrás, e que a tentação ambiciosa de um projeto de perpetuação no poder não sobre caia aos alquimistas que farão revolução com petróleo.

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Polícia tambem é Cultura

Apreciem com moderação.
Leiam com atenção o seguinte poema - e não esqueçam do tom de declamador:


"Uma águia passou pelo meu quintal

Um vento muito forte querendo namorar
Acho que ta querendo a minha piriquita
Que a muito tempo... estou doida pra dar

Já passou uma semana e essa águia sumiu
E eu não ouvi o grito dela por aqui
O que que eu faço pra dar minha piriquita
Que a muito tempo não dá uma puladinha

Quem vai querer a minha piriquita? A minha piriquita? A minha piriquita?"


A história:

Um policial militar de São Paulo virou hit na internet ao aparecer em um vídeo dançando uma música de forró chamada “A periquita”. A música tem letra de duplo sentido com conotação sexual. O policial dança e rebola nas imagens.

No site YouTube há várias edições do vídeo, mas a original tem 27 segundos e começa com alguém dando um comando para o policial iniciar a dança. O PM está fardado, com colete à prova de balas e aparentemente carrega um revólver na cintura. O local onde a dança é feita parece uma unidade da polícia.

A assessoria de imprensa da PM disse que já tem conhecimento do vídeo. Segundo o órgão, já foram identificados os policiais militares que tiveram participação ou que não deveriam ter permitido que o fato se realizasse. A polícia disse ainda que já instaurou procedimentos disciplinares contra os policiais.


Agora assistam a magnífica dança: (ou, se já houverem apagado, procurem pelo link no youtube)

http://www.youtube.com/watch?v=h-sC8M48smE&feature=related

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Pra quê ser trágico se podemso ser cômicos! (sem duplo sentido)

Quando surgiu a idéia de se criar esse blog, eu pensei logo: "eita, agora sim vou escrever algo sério". Mas depois do primeiro texto eu vi que seriedade não é bem o meu forte. Abrimos os jornais ou vemos na internet centenas de notícias e é impossível não ter a atenção atraída por algumas delas e sinceramente eu busco o lado engraçado de cada notícia, não importa o quão triste seja.


Uma notícia que sempre aparece nos jornais e é impossível não rir é a do tipo: "fulano de tal, americano, morre ao tentar bater seu próprio recorde mundial de salto de motocicleta sobre carros”. O ato em sí já é totalmente idiota. Qual o objetivo de uma pessoa pegar uma moto pra saltar um monte de carros e quebrar um recorde que já é seu? Deve ser difícil para um jornalista ler uma notícia dessas no ar e não se estourar de rir, eu particularmente riria e, ainda mais, acharia muitíssimo bom esse otário ter perecido de uma burrice dessas.

O fato mais cômico que eu já vi ser noticiado foi a viagem de balão do padre sem noção. Como é que esse animal me inventa de sair voando amarrado a um monte de balão de festa com um clima que só vendo e sem entender nada de navegação? Para piorar, o, digamos, corajoso padre leva dois celulares, um deles com a bateria descarregada, e um GPS que sequer sabia como ligar. Dias depois aparecem os balões boiando no mar e o padre que estava preso a eles foi parar DEUS sabe onde. Resultado: padre morto, possivelmente devorado por tubarões. Comentário: bem feito.


Passa-se um tempo de certa calmaria no "Planeta Bizarro", aí chegam as olimpíadas... Ah, as olimpíadas, celeiro das "tosquices" esportivas. E essa edição dos jogos teve de tudo: vara sumida, lutador que jogou a medalha fora, lutador que deu porrada em árbitro e um cara que parece um monstro e conseguiu mais medalhas de ouro que muitos países por aí, inclusive o nosso. E o Brasil foi campeão, campeão do chororô. Diego Hipólito poderia ter sido o grande orgulho da ginástica e se tornou a grande piada, caiu de bunda. Perdeu, playboy.

Terminando essa bagaça e olhando para o calendário, me vem á cabeça mais uma piada. É evidente que eu não vou contar piada aqui, devido à seriedade deste texto, mas sorriam amigos! Sorriam, domingo é feriado. Feriado? Feriado de quê? Ah, lembrei! É independência do Brasil... É, isso aqui virou uma piada mesmo!




sábado, 30 de agosto de 2008

Sobre o ComuniCurtas

Depois de uma semana de Comunicurtas e observando a incrível capacidade de expressão que uma pessoa pode ter, é possível maravilhar-se com a diversidade e visões sobre inúmeros fatos do cotidiano.
Situações diárias são mostradas através de uma lente comandada por sensibilidade e criatividade que transformam as mesmas em verdadeiros espetáculos visuais. Sutil ou explicitamente estabelecem-se críticas sobre comportamentos patológicos da sociedade como exploração sexual infantil e hábitos “anormais” como o uso de entorpecentes (por exemplo, a maconha).
Outras temáticas polêmicas também são inteligentemente mencionadas tais como o homossexualismo e o ciclo vicioso da vida de um nordestino. A amplitude de temas que o cinema pode abranger, sem dúvida é uma das características mais peculiares dessa arte. Sim, cinema envolve arte, já que mescla percepção e reação aos fatores que interferem na vida de um certo grupo social. Assim sendo, o cinema e sua linguagem possuem um papel fundamental dentro da atual e individual “sociedade”, que se encontra relativamente despreocupada com questões de interesse coletivo. Assim imagens e sons conscientizam e convidam os expectadores a uma reflexão da constante mudança de valores e conceitos, que se enfrenta dia após dia dentro do contexto de uma sociedade líquida, que se desfaz e se transforma com uma velocidade surpreendente.
Parabéns aos diretores, roteiristas, atores, enfim a todos aqueles que contribuíram para a idealização de um projeto tão relevante para a parcela “pensante” da sociedade, ou ao menos para aqueles que tentam fugir da inércia.

sábado, 16 de agosto de 2008

De repente herói

Incrível como um raro gesto de coragem e/ou solidariedade no mundo hipócrita e individualista em que vivemos pode ser desesperadoramente admirável e gratificante até para meros espectadores da situação, como eu.

O que me levou a tocar nesse assunto foi o ato, heróico mesmo, de um garoto chinês de apenas 9 anos, que após um terremoto arrasar a província de Sichuan onde morava, se tornou um dos maiores "salvadores" no local, ajudando a socorrer diversas outras crianças de sua idade.

Num planeta onde uns usam os outros como 'degraus' pra conseguir uma ascensão seja lá de que espécie for, se faz impossível não alegrar-se com uma prova de amor ao próximo como esta. Uma criança mantendo a calma, carregando amigos feridos nas costas, talvez até maiores que ele, fisicamente, enquanto muitas outras pessoas se desesperam, adultos se sentindo impotentes diante da situação, ou o desespero sendo proveniente até da consciência de sua própria covardia; covardia de adentrar nos escombros, arriscando uma "troca", talvez! A sua vida pela de outra pessoa.

"Poucas vezes uma canção mereceu tantos aplausos". Pelo simples fato de não ser comum se ouvir canções vindas de baixo de destroços, provenientes de uma criança soterrada durante duas horas! Isso foi o que Lin Hao convenceu os outros a fazerem: cantar à espera do socorro.

A esse heróizinho (um "inho" utilizado apenas devido a sua idade, jamais minimizando sua ação) restou uma cicatriz na cabeça, que não o deixará esquecer nunca do seu feito, de quantas vidas salvou, que valeu mesmo à pena a sua coragem. Ah, também lhe restou a fama, caiu nas graças do povo, o que fará muita gente admirar, até invejar tudo que ele fez, e sentir vontade de fazer o mesmo por alguém... por um tempo, já que a fama nesses casos não é permanente.

O que me preocupa não é o fim da fama, já que ele vai seguir sua vida, todos vão; e sim o fato de que, quando isso passar, nem todo mundo vai ter uma cicatriz pra lembrar do que pode ser feito de solidário, para o bem do próximo, para o bem comum.


Por Katarina Kelly

Crônica ao contrário

De que eu nunca vou entender o tempo! (00h09min)

Sempre detestei relógios! Eles te escravizam, dão um ar de seriedade desnecessário e te deixam com uma faixa de pele mais clara em um dos braços.

O tempo atrapalha nas provas de gramática, nos sábados à noite e nas segundas-feiras chuvosas. As horas quase não passam quando o tempo está frio e parece não existir tempo naquelas horas quentes. O tempo nos tira o sono... O tempo passa ou passamos por ele? O tempo anda em linha reta e eu adoro curvas.

Não é questão de desconsiderar Einstein, seus cabelos grisalhos e espírito adolescente. É que em minha opinião, relatividade, assim como perversões sexuais, são coisas para Freud. Sempre preferi qualquer coisa à física. Talvez porque muito me incomodam os fatos de dois corpos não poderem ocupar o mesmo lugar no espaço e de não se poder estar em dois lugares ao mesmo tempo.

É bem difícil medir o tempo... Não sei se a medida certa para isso são horas, quilômetros ou aniversários. Quando eu era criança (até antes de ontem), meu aniversário demorava muitos dias para chegar... Mas me disseram que agora eles vão vir rápidos, talvez dirigindo um carro novo. Também se pode medir o tempo com areia, e pra mim esse é o modo mais interessante.

Eu sei que isso não são tempos de se falar de horas, nem hora de se escrever crônicas, mas é melhor falar de tempo que de amor. Por falar nisso, estamos em agosto e não está chovendo... Eu não sou mais o mesmo e o tempo é. E é com a certeza que eu começo a crônica que terminei ontem. (23h27min)

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

Sentimento Sincero




Foi quando estava no ônibus retornando pra casa, depois de uma manhã normal de vida acadêmica, que percebi tal cena, tão pura e singela, que mais ninguém reparou. Mesmo assim ela passou o dia a rodear meus pensamentos. Era apenas um menino que estava sentado à minha frente e que acariciava confortavelmente a orelha do senhor sentado ao lado, suponho eu que seja seu avô. Aquela mãozinha discreta de uma criança de apenas uns quatros anos fazia o gesto que me fez recordar minha infância e minha mãe.

Eram pessoas de um semblante humilde, mas que durante alguns minutos mostraram que tinham algo desejado por todos, carinho, respeito e acima de tudo educação. Pois logo em seguida entrou uma senhora no ônibus, que por sinal já estava lotado, sem cadeiras vagas, então o gentil senhor colocou o menino no colo e cedeu o assento.

Fiquei observando e pesando, por que uma cena como essa me abalou tanto? Deveria ser algo normal, mas infelizmente não é. Nos acostumamos a conviver com noticiários que relatam diariamente fatos diferentes, esses fatos sim, que deveriam nos chocar, porém virou algo corriqueiro. Diariamente ligamos a TV e vemos um pai que jogou um filho da janela ou uma mãe que abandonou a filha recém nascida em uma lata de lixo ou um filho que tramou o assassinato dos pais. A vida humana virou algo banal. Incomoda-me imaginar que doces momentos como esse possam um dia chegar a não existir. Contudo a imagem de hoje me renovou as esperanças, ao ver que nem tudo está perdido. Que do mais simples ainda se avista o mais virtuoso sentimento: o amor recíproco. E como é bom chegar em casa e beijar minha mãe.

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Relevo Impróprio

A pequena e (não tão) pacata cidade de Campina Grande, Rainha da Borborema. De clima agradável, economia próspera e rica em eventos culturais, sofre também dos males que afligem grandes metrópoles: crescimento de favelas, da criminalidade, do tráfico e do tráfego.

Este último fator, ocasionado por um centro comercial demasiado condensado, desorganizado e controvertido, ultimamente, e com maior freqüência, vem vitimando amortecedores e pneus, órgãos vitais para o bom funcionamento de veículos automotivos, tudo culpa da proliferação exacerbada de uma forma de relevo bastante comum em cidades “entregues às baratas”, tipos incomuns conhecidos popularmente como “buracos”, ou vulgarmente denominados, no atual modelo, “crateras”.

Gerados inicialmente devido à explícita desproporção entre os fatores “verba-para-custeio” e “desvio-de-verba” (também chamado “bolsa-parlamentar”), os tais fenômenos ocorrem em asfalto mal cuidado ou mal construído. As autoridades explicam o fenômeno como uma necessidade pessoal de cada motorista poder externar seus mais profundos sentimentos no trânsito caótico do mundo moderno, aliviando seu stress ao proferir um breve e inofensivo “puta-que-o-pariu” a cada vez que perpassa um dos inusitados declives.

Porém, nada temam caros amigos, pelas conjecturas deste escrevente. É tempo de eleição e os homenzinhos de uniforme alaranjado já ressurgiram para nos defender, capinando o mato e pintando os canteiros. Se não concluírem suas obras em tempo, como costumeiramente ocorre nestes casos, homenzinhos de uniformes alaranjados ou esverdeados voltarão dentro em quatro anos para novamente resgatar a beleza de nossa cidadezinha.

“[...] O governante é sempre um homúnculo em pé sobre uma rolha de cortiça, com seu chapéu de Bonaparte, acreditando e fazendo acreditar que rege o maremoto a seu redor. Governar é manter essa crença.” (Otavio Frias Filho, em Tutankaton).

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

"Figurões" do joranlismo nacional

Vivemos em uma sociedade em que os padrões estéticos superam os intelectuais infinitamente. Uma demonstração dessa superioridade da beleza está no jornalismo, especificamente no jornalismo televisivo. Nomes que fizeram história e comprovadamente são profissionais competentíssimos são colocados em segundo plano para que novos "galãs" do jornalismo nacional figurem ancorando telejornais e programas, nas grandes emissoras do país. Alguns nomes que defenderam a liberdade de imprensa durante os anos de chumbo da ditadura, como Boris Casoy, e tantos outros, como Cid Moreira, que realmente passam imparcialidade e verdade no que falam simplesmente são deixados de lado e colocados como "figurantes" porque estão velhos ou não atendem mais aos padrões que infelizmente regem a mídia nacional.
Não quero, com essas palavras, criticar ou menosprezar um ou outro profissional. Apenas queria expressar minha indignação com uma sociedade que valoriza cada vez mais a beleza e menos o talento, o que faz Lilian Witte Fibe – para mim, uma das melhores jornalistas do Brasil – afastada da televisão? Quem colocou César Filho – com todo respeito – como âncora de um jornal? Embora o SBT não sirva como referência para nada, assim como outros tantos que por ora me fogem da memória.
O grande Vinícius de Morais disse: "As feias que me perdoem, mas beleza é fundamental", se referindo a mulheres, creio eu. Mas essa frase parece que cada dia se aproxima mais do jornalismo no Brasil e, no dia em que uma vaga de emprego para jornalistas for decidida pela face e não pela mente, vai ser o dia em que eu deixarei de acreditar na profissão que escolhi pra mim. Espero que isso não ocorra, mas, se ocorrer, ainda bem que eu sou bonito.

Silas Batista dos Santos

segunda-feira, 28 de julho de 2008

As Raposas e as Uvas

Como isso aqui ta parado, posto esse texto meio antigo (donde veio a frase de subtitulo do blog (xinguem Sidney)), mas deu-se o início das eleições, momento propício.
***

"Um caminhão de eleitor
com os voto tudo vendido,
isso é cagado e cuspido
paisagem de interior"
(Jessier Quirino - Paisagem de Interior)


A multidão apaixonada vibra a cada nova frase sem nexo. O locutor, em cima de um pau-de-arara travestido de palanque, acena, agradecendo os uivos da platéia com gestos brandos de garra e confiança enquanto encena seu monólogo, amparado num vocabulário pomposo.

A cada repetição de "ética" ou "combate à corrupção", novos gritos, estridentes, ensurdecedores, delirantes. Hasteiam suas bandeiras unicolores, em um gesto de gratidão para com aquele líder nato que tirar-lhes-á da mesmice miserável dos tiranos antecessores.

Do outro lado da cidade ou do país, uma mera cópia: multidão, grito, líder, bandeira. Mudam personagens, cores e cenários, ficam os modelos estereotipados.

Poderia ser a história de qualquer eleição, escolha uma. Representa unicamente a capacidade de discernimento de um povo semi-analfabeto, encantado facilmente com cores, símbolos, líderes e palavras "nunca antes" proferidas, arrastados como rebanho que são ao curral eleitoral a que se acostumaram, se acomodoram, se afeiçoaram.

Não os culpo. Não diferenciam propostas, programas e promessas. Vêem aquilo que precisam ver, querem ver: faixas coloridas, palavras bonitas e, de preferência, um bom pão e circo - eufemisticamente chamado "showmício".

Como diz meu velho pai-aço, "tem gente que tem fé demais e gente que fede menos". Eu que não creio, tenho apenas fé. Fé de que um dia... Ah, um dia há de chegar o dia em que o dia-a-dia vai fazer essa gente entender que hão de vir melhores dias... que se pode aprender a analisar, opinar, criticar, julgar.
Se pode esquecer o amor por descendentes oligárquicos de uma politicagem caduca, julgar propostas de governo e deixar de lado paixões a grupos políticos que se perpetuam ou se revezam no poder.

Talvez sejam mandamentos inúteis, utopia adolescente de quem quer mudar o mundo sem sair da frente do teclado. Talvez seja a simples constatação do que acontecerá este ano e em trocentos vindouros.

Gente Humilde (Garoto/Chico Buarque/Vinicius de Moraes)
"E aí me dá uma tristeza
No meu peito
Feito um despeito
De eu não ter como lutar
E eu que não creio
Peço a Deus por minha gente
É gente humilde
Que vontade de chorar"

terça-feira, 15 de julho de 2008

Limites para aparências


O sentimento inicial ao escrever é receio. Receio?Pois é...receio de não ser compreendida porque geralmente costumo temer o desconhecido, mas prefiro chamar toda essa confusão interpretativa de instinto de sobrevivência, soa melhor que receio! E é sobre isso que eu gostaria de falar: mudanças superficiais para encobrir medos, ódios, amores ou quaisquer outros sentimentos e vontades.
Não seria mais fácil explicitar tudo? Seria, não fosse o pensamento dos outros, a reação dos outros, a opinião dos outros, os outros, os outros...sempre eles, por eles e para eles.Às vezes extrapolamos nosso senso crítico, nossos limites e até mesmo nossos princípios para sermos bem-quistos, bem-vistos e bem-amados pelos outros.
Sendo você constituído do que pensa e sente, a partir do momento que esses sentidos e capacidades são modificados para não gerarem comentários no grupo que você está incluso, seu “eu” também é modificado, e percebendo ou não, você muda de opinião, muda conceitos, enfim, você muda.
Mas se é “de mudanças que se vive à vida”, a influência quase imperceptível dos demais na sua rotina não deveria ser tida como algo maléfico ou sobrenatural, certo?
Nem sempre!Para tudo há um limite, se formos aceitando constantemente essas “influências” externas, corre-se o risco de perder autonomia sobre si mesmo e tornar-se uma mera marionete que age coordenado por...Outros.
Em contrapartida, atualmente saber agir e pensar em grupo e por um grupo passa a ser uma peculiaridade de poucos, e essa característica pode levar ao destaque profissional e pessoal. Mas não pense que a fórmula do sucesso é incorporar um espírito altruísta e sair por aí pensando somente no coletivo. Tendo um aspecto positivo sempre um negativo para equilibrar a balança da vida, é necessário levar em consideração o limite sutil que existe entre aceitar opiniões alheias e submeter-se a elas sem avaliação prévia, pelo simples fato de parecer democrático e assim ser aceito.Às vezes é bom (leia-se: necessário) defender ardentemente opiniões e atitudes, afinal, já dizia um antigo ditado “Quem segue a maioria nunca estará à frente dela”, para ser (digo ser, não parecer) sincera, não recordo a autoria desse ditado,talvez Voltaire, mas o que sei é que ele condiz com o tema e me trás a continuação de uma reflexão: sociedade Maria Vai-com-as-outras.
A influência social no comportamento das pessoas é inserida de maneira tão simplória que as mesmas adquirem modos coletivos de pensar e agir que resultam em uma única questão: parecer para agradar.
Não estou sugerindo que a partir de agora todos os seres pensantes do planeta revoltem-se com hábitos pré-estabelecidos e partam para uma possível “Guerra Moral”, na verdade o que pretendo mostrar com tudo isso é que a divergência de opiniões é um principio de sabedoria, porque somente analisando e criticando com fundamentos podemos avaliar a melhor atitude a ser tomada e valorizar a mesma para assim contribuir para o crescimento e melhoria de todos e para todos. Por isso o receio de não ser compreendida!

quarta-feira, 9 de julho de 2008

Brasileiro, mas nem tanto

Nunca tive com a bola grande intimidade. E não falo só de futebol, mas de qualquer esporte que exija sua presença. O máximo de contato que tivemos foi nos jogos de queimada, e tenho ainda a leve impressão que isto se deu muito mais pela infante habilidade de correr e esquivar do que por qualquer outra coisa.

Das poucas partidas de futebol que participei na infância (é impensável utilizar o verbo jogar), ficaram na lembrança muitos risos, a estranha sensação de estar no lugar errado e dolorosos encontros com a bola, o que evidencia nossa falta de afinidade.

Confesso, porém, que já estive muito mais próximo do universo futebolístico do que hoje. Era torcedor do Palmeiras, não desses que discute e dá palpite na escalação do time, mas acompanhava os resultados, assistia aos jogos. (Ainda lembro a final da Copa Mercosul, estava deitado numa rede vendo o meu time, que chegou a ter três pontos de vantagem, perder o título para o Vasco da Gama. Terminado o jogo, nada de revolta ou lágrimas. Desliguei a TV e fui dormir. O que mais eu poderia fazer?) Mas o futebol há muito não me atrai. Acho que a última vez que assisti a um jogo completo foi durante a Copa do Mundo da Alemanha.

Não sei o que motiva tanta idolatria ao futebol. Mas acho interessantíssimo o fato de uma invenção inglesa levantar tanto a auto-estima do brasileiro. O futebol transcende questões políticas, econômicas e sociais. Em luxuosos campos de grama sintética ou no meio da rua, com os pés sujos de lama tocando a bola remendada, é o futebol que alegra o povo. Mais do que o samba, se duvidar, mais do que o sexo.

Parece faltar Brasil pra tanto futebol! Falta água, esgoto, comida, escola, vacina; falta saúde! Mas isso não importa, futebol não vai faltar.

É com estranheza que observo a defesa emocionada das cores do time, as promessas em dia de decisão do campeonato, a comemoração do gol, as lágrimas... Deve me faltar o gene da bola. Por instantes, duvido ser de fato brasileiro (acho que meu DNA é mais parecido com o dos cingaleses). Mas recupero a razão ao lembrar que o que define a nacionalidade não são as paixões nacionais.

Tomara que, contrariando o ditado popular, quando morrer e for pro céu, eu não encontre Deus fazendo embaixadinhas...

terça-feira, 8 de julho de 2008

Futebol: paixão nada pessoal.

Houve um comum acordo aqui entre o pessoal do blog que estabeleceu que iríamos falar sobre futebol na semana passada. Por alguns probleminhas com meu computador aqui, não pude postar na semana passada, por isso meu texto vem com um atraso...

Bem... opinião própria, eu nunca vi um sentido maior no futebol além do simples fato de 22 indivíduos correndo e tentando enfiar a bola em uma trave, pra depois todo mundo gritar “GOOOOOOOOOOOOOOOOOOLLLLLLLLL”.

Sempre fui “diferente” para algumas coisas que são comuns à maioria das pessoas da família, da sociedade. É uma questão de gosto; eu tenho gostos que às vezes fogem à regra geral. Não sou desses excêntricos malucos que gostam de comer de cabeça pra baixo ou namorar com homens e mulheres; só não vejo muita “graça” em algumas coisas que as pessoas idolatram, entre elas o futebol: a paixão do brasileiro.
Não me perguntem por quê. Creio que não é o caso do ditado “gosto não se discute”, pois se discute sim; eu simplesmente não consigo me atrair por futebol. Na verdade detesto muito do que se relaciona a isso (as brincadeiras, as discussões, as atuais brigas entre torcidas, enfim, tudo).

Só que meu interesse não é dissertar sobre meu desgosto pela coisa, mas ressaltar uma curiosidade minha sobre um fato comum a este esporte, que é o fato de o torcedor se tornar obsessivo (claro que por conta da “paixão” pelo futebol), apaixonado, um integrante do time adorado. E este fato provoca características que creio ser peculiar a este esporte.
Falo do contexto nacional, pois é o único com o qual tenho o mínimo contato. Não é tão comum vermos no nosso país um torcedor de vôlei tão fissurado no esporte a ponto de chegar a brigar pelo time, ou um indivíduo que morreria pelo seu time de handebol.

Pretendo não adentrar nas questões da cultura ou das relativizações.

Vamos direto ao ponto:

Meu pai: cidadão de 42 anos, que mora em Campina Grande – PB e torce pelo time local Treze, vulgo Galo da Borborema.

Eu não entendo o motivo (acho que Freud deve explicar), mas o que faz este envolvimento ser tão intenso com certeza tem um grande poder.
Jogo Treze X Campinense, clássico na cidade, decisão do Campeonato Paraibano. O time pelo qual o meu pai torce perde. Também, nem tinha lá tantas chances de vencer, ele nem estava, pelo que me falou, tão esperançoso ou animado com uma possível vitória, mas nos últimos momentos antes da partida, decide ir ao campo. E vai cantando, todo feliz, feito aposentado em dia de pagamento.

Seis e pouco da noite chega em casa...

Cara vermelha, fechada. Um “oi” seria demais naquele momento. Nada seria pior do que a derrota do seu time. Mas o Galo teria de vencer por dois gols de diferença!!! Tanto faz, a esperança do torcedor parece ser infinita (quem dera o brasileiro fosse tão cidadão brasileiro quanto torcedor de futebol).

Acho que admiro tanto fervor, tanta emoção, mas ao mesmo tempo detesto conviver com domingos recheados de futebol.
Não entendo o que realmente provoca tantas sensações e sentimentos por algo como o futebol, a verdadeira “magia” da coisa.
Mas também se levarmos em conta a história, veremos que os tempos trazem consigo as paixões que estarão inerentes às sociedades. Sejam as guerras, a política, a filosofia, tudo varia com o tempo, cada qual em seu período mexe com as emoções da sociedade (quem dera o futebol fosse tão carregado de valor para uma sociedade quanto a política ou a filosofia).

Pois bem... diferentemente do que já falei por aqui do lixo cultural, quando disse que no caso das músicas nojentas eu tinha tudo contra quem gostava, fugindo à regra do dito popular, em relação ao futebol, eu realmente não tenho nada contra quem gosta. Só busco esclarecimentos para minhas inquietações sobre o assunto.
Será legal se cada um dos que virem a ler meu texto, colocar seu ponto de vista sobre o futebol, sobre o que realmente move toda esta emoção (se é que há uma explicação). Quem sabe não progrido em relação ao assunto?
É bem mais produtivo quando ouço as opiniões ao invés de xingamentos por conta do meu posicionamento.
Por que você gosta tanto do futebol? O que te faz ter tanto amor por este esporte? Qual o sentido do futebol, por detrás dos pontos e classificações e vitórias e troféus?

sábado, 5 de julho de 2008

As dores do belo

“Diante do belo, o silêncio.” O pensamento do mestre Rubem Alves talvez possa explicar por que grandiosos espetáculos humanos tenham seu desfecho marcado pela dor do silêncio. Digo talvez porque o pensamento anterior refere-se ao fato de que as palavras tornam-se insignificantes diante de algo que deixe os olhos em estado de graça, mediante a beleza explicitada. Assim, o belo requer o silêncio.

“Os deuses vendem quando dão/ Compra-se a glória com a desgraça...”, sentencia Fernando Pessoa em ‘Mensagem’. Os ‘deuses do futebol’ ofertaram ao público brasileiro (carioca, em especial) o estádio Mário Filho, o Maracanã, um templo em que, por inúmeras vezes, multidões entoaram e ainda entoam diversificadas canções de amor aos seus clubes e/ou à sua seleção e, por outras vezes, amargaram a mais injusta, inexplicável e sofrida derrota.

O que dizer da fatídica derrota da seleção brasileira, com um Maracanã beirando as 200 mil pessoas, na final da Copa de 50, diante do Uruguai? Ainda hoje o ‘Maracanazo’ é considerado o ápice de nossas tragédias esportivas. Será que flamenguistas, vascaínos, tricolores e botafoguenses concordam com tal afirmação? Dificilmente...

Ainda no Maracanã, Pelé, em um jogo válido pelo Torneio Rio-São Paulo de 1961, após driblar seis jogadores do Fluminense, fez um dos mais memoráveis gols de sua carreira, inspirando o ainda jovem repórter esportivo Joelmir Betting a cunhar a posteriormente famosa expressão “gol de placa”, sugerindo ao jornal para o qual trabalhava que o gol merecia uma placa no estádio. Craque da palavra, Joelmir, anos após, diria: "Nunca fiz um gol de placa, mas fiz a placa do gol". E tudo isso diante do Fluminense...

Foi também no Maracanã que o ‘‘Atleta do Século’’, polêmicas à parte, marcou o seu milésimo gol, em 1969, em partida contra o Vasco da Gama. Pênalti sofrido e convertido pelo Rei. Não foi o gol mais bonito, tampouco o mais difícil. Mas foi o mais importante. Pelé se tornava o primeiro jogador profissional de futebol da história a fazer 1.000 gols na carreira. E, em mais uma oportunidade, tendo o Maracanã como palco central e um clube carioca como mero coadjuvante, o visitante faz a festa. E tudo isso diante do Vasco...

Para não dizer que não falei das flores, como diria a música do Vandré, o Maracanã também foi palco de ídolos dos quatro grandes clubes cariocas. Zico, Dinamite, Rivelino e Garrincha, para ficar apenas nesses, fizeram a alegria das multidões por gerações distintas. Mas um fato une os grandes clubes cariocas: em suas histórias, os grandes cariocas não contabilizam o “Maraca” como sendo palco de seu título mais expressivo. Pelo contrário, o estádio é havido como local de grandes frustrações, recentes ou não. “Diante do belo, o silêncio.”

E assim, comprando instantes de glórias com momentos de dolorosas e inesquecíveis desgraças, segue o futebol, como segue a vida. Em ambos, a derrota faz parte do jogo. E, longe de serem empecilho, essas derrotas, ainda que deixem máculas, são a chama vital para paixões eternas e inexplicáveis.

quinta-feira, 3 de julho de 2008

"Tricolor só tem um"

"...O resto é time de três cores". Nelson Rodrigues, tricolor ilustre.

Incompreensível ou não, mas minha necessidade de auto-flagelação me incita a descrever a magnífica vitória-derrotada que a pouco presenciei (ao vivo... pela tevê).

Uma final épica com um final trágico.
Nunca imaginei que um simples jogo me pudesse comover como a um animal irracional como nos momentos que compartilhei com os 11 indivíduos que corriam atrás de uma esfera sob o olhar atento dos 80 mil presentes e dos tantos ausentes.
Não sei que motivos me levam a torcer. Simplesmente torço, vibro, grito, canto - e bebo.

Uma partida que entrará para os anais (ou com outra morfologia menos sensata) da história futebolística. Uma vitória que teve o desprazer de amargurar uma derrota histórica. Um camisa 10 que consagrou-se emplacando 3 gols numa final e desperdiçou seu pênalti.

E se não fossem os 11 marmanjos que se prostituíram aceitando 4 bolas dentro, num único e ridículo tempo de jogo;
E se não fossem o primeiro gol no primeiro minuto do primeiro jogo e nos primeiros minutos do segundo jogo;
E se não fossem a altitude do primeiro jogo, o árbitro do segundo jogo e a falta de atitude nas penalidades;
E se aquele time não tivesse derrubado mitos, lendas e tabus e calado tanta Boca...
... A decepção teria sido menor ou maior?
Foi apenas mais uma decepção num esporte tão cheio de fatores extrínsecos.

No gran finale, Palermo, o famoso pelas 3 penalidades desperdiçadas num único jogo, deu seu toque de inspiração aos nossos craques.
Essa foi minha vergonha, misturada ao orgulho de ver caras que não conheço, nem nunca conhecerei, em lágrimas por uma equipe da qual tiveram orgulho de participar, numa demonstração de "amor à camisa" nunca antes visto por minha pessoa.
Num mundo cada vez mais apegado ao capital, provavelmente eles estavam chorando pela grana que iriam receber caso vencessem a tal Libertadores. Prefiro acreditar no meu lado ingênuo e convencer-me do prazer que tiveram em estar presentes num momento sublime da saga daquele conjunto; que o mundo não está tão perdido e vendido como sempre supus.

Força, Flu. Rumo à Segundona ou à próxima Libertadores, estarei aqui, pelas três cores que traduzem tradição.

quarta-feira, 2 de julho de 2008

Cotas: ação compensatória ou atestado de incompetência?

Para iniciar minha participação neste blog, optei por um assunto polêmico, que pode gerar um ótimo debate (assim espero) ou ao menos produzir algumas reflexões. Assim me darei por satisfeita. Ouvi uma notícia sobre o sistema de cotas e não agüentei deixar isso passar despercebido.

A notícia foi a seguinte: “A Comissão de Educação do Senado aprovou, nesta terça-feira, um projeto que reserva vagas de universidades federais para estudantes de escolas públicas. Terão preferência, de acordo com o projeto, os que se declararem índios e negros.
Segundo o projeto, 50% das vagas em universidades federais e instituições públicas de educação profissional e tecnológica serão reservadas para estudantes que tenham cursado integralmente o ensino fundamental em escolas públicas. Além disso, dentro da cota, devem ser incluídas vagas específicas para negros, pardos e índios de forma proporcional à população do estado onde fica a instituição; e pessoas com deficiência, independentemente de virem do ensino público. [...]”
(fonte: http://jg.globo.com/JGlobo/0,19125,VTJ0-2742-20080701-324799,00.html )

Considero o fato descrito um atestado de incompetência do governo na área de educação pública. O IDEB (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) é a prova disso, no qual a média dos alunos do ensino médio de escola pública no ano de 2007 foi de 3,2. A deficiência do ensino não é novidade pra ninguém, porém, se houvesse um ensino de qualidade, para o qual pagamos uma pesada carga tributária, não precisaríamos de ações compensatórias do governo. A questão é: até quando nos contentaremos com esse tipo de ação? Na verdade, o que precisamos é de investimentos para o ensino público, resultando em melhores condições de trabalho tanto para os professores, quanto para o alunado, para só assim chegarmos a uma concorrência igualitária, independente de etnia, condição social e etc.

No que se refere às cotas raciais, a situação piora, pois temos no Brasil um elevado grau de miscigenação, o que dificulta muito em determinar quem é ou não negro. É sabido que a péssima situação social dos negros é um fato histórico, onde até 1970, 90% dos negros eram analfabetos, porque após a abolição da escravidão, o Estado os abandonou, ao contrário do que fizeram com os imigrantes. Mas o que realmente dificulta o ingresso do jovem na universidade é o fato de ser pobre e não negro.

É aí que lhe pergunto: e o pobre branco? O pobre, seja ele negro, branco, ou de qualquer etnia não consegue uma boa base escolar. Os favorecidos com o sistema de cotas terão que fazer um esforço para que atinjam um nível que lhes permita avançar no curso. A adoção das cotas é uma medida que servirá para degradar o nível das universidades públicas e que não vai resolver séculos de discriminação econômica e racial.

“Com o projeto de lei, o governo se parece com o construtor bem intencionado que assume um prédio: sob o pretexto de consertar as paredes (Ensino Médio), danifica o telhado (Ensino Superior), sem se importar com a fundação (Ensino Fundamental), que está bastante comprometida.” (Jacir J. Venturi). Se o Brasil é um país de todos, e esses todos são iguais perante a lei, então eles merecem as mesmas oportunidades, começamos pelo direito à educação, de preferência de qualidade. Pensando cada vez mais nos jovens que certamente serão o futuro do país. Só espero que eles sejam pensantes e tenham um olhar aguçado e, acima de tudo, crítico.

terça-feira, 1 de julho de 2008

O medo é fato, retrato da nossa vida real.


Nas grandes cidades do pequeno dia-a-dia
O medo nos leva a tudo, sobretudo a fantasia
Então erguemos muros que nos dão a garantia
De que morreremos cheios de uma vida tão vazia
Nas grandes cidades de um país tão violento
Os muros e as grades nos protegem de quase tudo
Mas o quase tudo quase sempre é quase nada
E nada nos protege de uma vida sem sentido
(Muros e Grades – Engenheiros do Hawaii)

Atire a primeira pedra quem nunca sentiu medo na vida.

Medo do escuro, medo da prova final de matemática, medo de voar de avião, medo da morte. Esta palavra representa a reação do nosso organismo a uma situação que pode se caracterizar em uma ameaça. O medo é inerente a cada um de nós. Existem as diversas intensidades do medo, que podem variar de uma leve ansiedade ao pavor, à fobia. Mas não adentremos na questão científica do assunto...

Estamos presenciando na atualidade uma situação de violência que assusta a sociedade, em sua maioria acostumada a ver muitos destes casos mais bárbaros em filmes ou em guerras, pela televisão.
Os jornais mostram todos os dias tiroteios, assaltos, assassinatos por vingança, discussões, por alguns trocados ou mesmo sem motivo algum, pais que matam os filhos e vice-versa, brigas de torcidas, guerras.

Fala-se em caos, desordem; enfim, todas estas circunstâncias, as atrocidades cometidas pelos homens, acabam provocando um medo do mundo, mas não o mundo como sendo o planeta, e sim todo o universo criado e desenvolvido pelo homem. Um medo do meio social, medo do outro.
Sendo o medo identificado pela psicologia como um estado de alerta decorrente de uma situação de ameaça, este medo do outro representa um estado de alerta perante os demais cidadãos.

Acontece que este estado de violência já tomou uma proporção tão devastadora, que o simples fato de andar sozinho à noite pela cidade se torna um perigo mortal. A consciência disto está presente em cada um de nós, e é daí que vem esse medo de quando outro indivíduo se aproxima quando estamos no ponto do ônibus, às 8 da noite. Fato é que este outro infeliz também está assustado,com medo de se aproximar muito de você aí, parado.
Além do que se vê na televisão ou nas ruas, a violência chega a nossa casa e intensifica ainda mais o nosso medo do mundo.

Um grupo de amigos, todos adolescentes, estão sentados em frente à casa de um deles, a conversar, numa noite qualquer, por volta de 9 horas, quando do nada aparecem dois sujeitos armados com revólver e os assaltam. Na saída ainda ameaçam de morte um deles. Em algum outro caso, um dos adolescentes mais exaltado poderia se alterar para o lado do assaltante e tomar um tiro, quem sabe fatal.
Estas pessoas que estavam ali, aparentemente tranqüilas, aproveitando seu tempo livre na calçada da rua em que moram, vão passar a estar sempre em estado de alerta, com medo de quem está passando pela rua (e se sentirem coragem para estar pela rua naquele mesmo horário). Vem o isolamento, a sociedade cada vez mais trancafiada e enclausurada, pessoas cada vez mais dentro de casa, com medo de abrir o portão e ser assaltada, estuprada, violentada.

Ao ver tudo isso acontecendo ao meu redor, com meus amigos, na casa ao lado, no bairro, na cidade, no país, fico cada vez mais pessimista em relação a uma possível melhora nas relações humanas, nas condições de respeito à vida, à dignidade. Falamos do governo, porque não faz nada, mas que governo? Qual é o verdadeiro governo? Aquele que se encontra num palácio, cercado de segurança, isolado do país, de todos? Ou o governo que se encontra instalado no alto dos morros, que tem suas leis, sua abrangência, seu poder real? Quem sabe o governo individualista... esse que faz de lei fundamental o dito “cada um por si”?

Sinto que os homens estão se degenerando, se destruindo em todos os aspectos. Ao mesmo tempo, estamos nos fechando para nós mesmos, com medo do mundo, buscando segurança, paz.
Não vejo um final feliz para a história desse mundo. Sinto-me cada vez mais agredido pelo que vejo e presencio no dia-a-dia dos dias de hoje. Espero que minha angústia seja somente pessimismo, mas o rumo das coisas não indica bons resultados.

Espero estar equivocado.

Um Olhar para as Artes: convite à reflexão

“Pensar é estar doente dos olhos”, disse Alberto Caeiro, um dos heterônimos do genial poeta português Fernando Pessoa. Certamente, ainda não nos demos conta de que todas as coisas belas e maravilhosas do mundo sejam filhas da doença. Nesse sentido, o homem cria a beleza, nas suas mais diversas formas de manifestação, numa espécie de tentativa de remediar a sua doença, ou seja, um bálsamo para o seu medo de morrer.

Alguém já parou para pensar se, por algum acaso, as criações fossem fruto das pessoas que gozam saúde perfeita? O mundo, assim sendo, seria uma plena monotonia, mesmice chata. Por que haveriam de criar? A criação é fruto de sofrimento. Assim, os olhos do poeta tinham que estar doentes porque, se não estivessem, o mundo seria mais pobre e mais feio. Porque os olhos de Alberto Caeiro estavam doentes, um poema foi escrito e, por meio dele, temos a alegria de ler o que o poeta escreveu.

Há quem pense, como é o caso do poeta Heine, que foi para se curar de sua enfermidade que Deus criou o mundo. “A doença foi a fonte do meu impulso e do meu esforço criativo; criando, convalesci; criando, fiquei de novo sadio”, seriam as palavras de Deus, segundo Heine.

E por qual razão, perguntará o leitor, faço essa abordagem inicial? Antes de tudo, ainda bem que as palavras (e, por conseguinte, os textos) dialogam, têm vida, “(...) saltam, se beijam, se dissolvem,/No céu livre por vezes um desenho,/São puras, largas, autênticas,/ indevassáveis.”, como diria Drummond, em ‘Consideração do poema’. E digo isso exatamente porque, após a leitura do brilhante texto “Vida de cão (em clima de despedida)”, do nosso colega Taiguara, suscitou-me um hábito muito comum em sala de aula: provocar uma necessária reflexão.

“Provocar o quê?”, perguntaria um desatento leitor. À busca de possíveis respostas, emerge o fato de que, seja cercado de inúmeros amigos, os quais, muitas vezes, eram transformados em parceiros musicais, seja acompanhado do “cachorro engarrafado”, ou ainda com a união de tudo isso, a poesia se faz arte em Vinícius de Morais através de um olhar diferenciado, doente, como chamamos até aqui, para a realidade circundante. A esse olhar doente, Vinícius chamou de tristeza, palavra em cujo campo semântico podem ser aglomeradas tantas outras motivadoras de várias obras-primas da nossa poesia/música brasileira, sendo algumas delas sutil e caprichosamente pinceladas no texto de Taiguara.

Nessa perspectiva, entendendo a arte como a concebe mestre Alfredo Bosi, para quem, “a criação artística é um fazer, um conhecer e um exprimir” e, para tal reflexão, observando a arte enquanto uma projeção de vida interior que vai do grito (observação ‘doente’, particular e distorcida da realidade) à alegoria, cabe indagar: o que será da arte mediante os valores da sociedade atual?

Assim, diante de uma sociedade doente, não dos olhos, mas da mente, a arte, em todas as suas representações, agoniza. Pais torturam, molestam e matam seus filhos. Representantes públicos (públicos? Públicos sim, porque é sempre pública a origem do dinheiro com que engordam, cada vez mais, suas generosas contas bancárias) estão envolvidos em mais escândalos e/ou preocupados com os conchavos das próximas eleições. Pessoas cada vez mais especialistas de fatos mínimos e ignorantes de valores máximos! Não há como não lembrar Manuel Bandeira, em ‘Rondó dos Cavalinhos’:

Os cavalinhos correndo,
E nós, cavalões, comendo...
O Brasil politicando,
Nossa! A poesia morrendo...
O sol tão claro lá fora,
O sol tão claro, Esmeralda,
E em minhalma — anoitecendo!

Ao ver a sociedade consumir vorazmente os lixos culturais, seja em forma de música (à exceção das “figurinhas carimbadas” canônicas, alguém consegue encontrar alguma música que coadune letra e melodia plausíveis?), cinema (exceções, a meu ver, aos filmes de Almodóvar e outros muito raros), televisão (a explicitação máxima da nossa mazela cultural) ou literatura (chega das baboseiras de Paulo Coelho e do gênero de auto-ajuda!), confesso que ganho ânimo para finalizar projeto antigo: o PENICO (Programa Educacional Nacional de Imbecilização Coletiva). Destinado ao auxílio dos educandários brasileiros, o PENICO, literalmente, iria, inicialmente, acolher os dejetos de milhares que são tragados pela corrente da mais nefasta ignorância e alienação coletiva, além de facilitar o trabalho da escola que, cada vez mais, não cumpre o seu papel central de formar cidadãos críticos e conscientes de uma realidade, alienando-os sempre mais.

Brincadeiras à parte, recordo-me de um episódio que vivenciei, certa vez, em sala de aula. Dizia, em uma analogia um tanto quanto simplória, que a poesia e uma cédula de dinheiro se diferenciam, dentre outros aspectos, uma vez que ambas têm o papel enquanto matéria-prima, no valor que possuem para a nossa sociedade plenamente utilitarista. Atentamente, uma aluno ponderou: “Ninguém vive de poesia, professor. Ninguém faz feira com um poema, por mais que as pessoas gostem dele!”. Diante do silêncio da turma, que, tacitamente, esperava de mim alguma resposta ou comentário, não deixei de dizer à aluna que, numa visão pragmática, ela não estaria equivocada. Apenas ponderei com algumas questões aparentemente bobas: “Você está satisfeita com o mundo tal qual se mostra a todos?”, “Você consegue entender certos fenômenos que ocorrem à sua volta?” e, finalmente, “Você se vê capaz de transformar uma ou a sua realidade?”.

Antes de qualquer esboço de resposta, convidei a todos para ler um fragmento estupendo do poeta e ensaísta mexicano Octávio Paz, intitulado ‘O caracol e a música’:

A poesia é conhecimento, salvação, poder, abandono. Operação capaz de transformar o mundo, a atividade poética é revolucionária por natureza; exercício espiritual, é um método de libertação interior. A poesia revela este mundo; cria outro. Pão dos eleitos; alimento maldito. Isola; une. Convite à viagem; regresso à terra natal. [...] Experiência inata. Visão, música, símbolo. Analogia: o poema é um caracol onde ressoa a música do mundo[...]

Após a detida leitura, percebi que algo havia mudado no olhar daquela jovem, que tão incisivamente tinha comentado o valor menor da poesia diante do dinheiro, mola-mestra do mundo capitalista. Mesmo sem emitir qualquer resposta, ao continuar da aula e, sobretudo, nas aulas seguintes, percebi que seus olhos haviam adoecido. A realidade, para aqueles olhos, já não era mais a mesma.

Assim, caro leitor, são esses olhos doentes, cada vez mais raros nos dias atuais, que podem (e devem) fazer com que a arte resista, tal qual a flor de Drummond, em ‘A flor e a náusea’, a qual, não obstante todas as adversidades( o asfalto, o tédio, o nojo e o ódio), venceu:

Sento-me no chão da capital do país às cinco horas da tarde
e lentamente passo a mão nessa forma insegura.
Do lado das montanhas, nuvens maciças avolumam-se.
Pequenos pontos brancos movem-se no mar, galinhas em pânico.
É feia. Mas é uma flor. Furou o asfalto, o tédio, o nojo e o ódio.

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LAPADINHAS

A quem ainda não se habilitou a deixar seu texto no nosso blog, cabe conferir o brilhante poema do genial Paulo Leminski:

Razão de ser

Escrevo. E pronto.
Escrevo porque preciso,
preciso porque estou tonto.
Ninguém tem nada com isso.
Escrevo porque amanhece,
E as estrelas lá no céu
Lembram letras no papel,
Quando o poema me anoitece.
A aranha tece teias.
O peixe beija e morde o que vê.
Eu escrevo apenas.
Tem que ter por quê?


· A eleição de Roberto Dinamite, para a presidência do Vasco da Gama, e a conseqüente derrocada do deplorável dirigente Eurico Miranda (arg!) fazem com que o futebol nos ensine algo absolutamente alentador: a democracia, apesar de tudo, ainda vale a pena. Vamos ver se agora a sina do “vice” vai embora juntamente com o “Euvírus se manda”! Força, Vasco!

· O título da Espanha na UEFA-Euro 2008, derrotando a sempre favorita e forte seleção alemã na grande final, traz um fio de esperança ao amante do futebol: é possível sim ser campeão sem jogar de forma truculenta e, por vezes, irracional, como fazem Ballack e seus companheiros. Com um futebol que não chegou a empolgar tanto quanto o da Holanda na fase inicial, mas com muita técnica e com o talento de alguns jogadores, a “Fúria” acalenta muitos corações que amam e gostam do verdadeiro futebol e deixa a sensação de que a Copa de 2010 promete. Resta saber se a “seleção” de Dunga chegará lá.

· E a “Lei Seca”, hein? Segundo José Simão, o presidente Lula assinou porque só anda de motorista. Verdade pura! Pura? Ôpa!... Não há dúvidas de que é uma excelente iniciativa. No entanto, resta saber se vai ser igual para todos! O tempo nos dirá!

· Finalizando, peço permissão aos colegas e transcrevo o poema abaixo, escrito por um aluno da APAE, chamado, pela sociedade, de excepcional. Excepcional é a sua sensibilidade! Ele tem 28 anos, com idade mental de 15. Se uma pessoa que encontra as barreiras que ele encontra acreditatanto no amor, por que a maioria das que se dizem 'normais' procura,ao contrário, negar sua existência? Vale a pena ler e refletir!

PRÍNCIPE POETA (Alexandre Lemos - APAE)
Ilusões do Amanhã
'Por que eu vivo procurando um motivo de viver,
Se a vida às vezes parece de mim esquecer?
Procuro em todas, mas todas não são você.
Eu quero apenas viver, se não for para mim que seja pra você.
Mas às vezes você parece me ignorar, sem nem ao menos me olhar,
Me machucando pra valer.Atrás dos meus sonhos eu vou correr.
Eu vou me achar, pra mais tarde em você me perder.
Se a vida dá presente pra cada um,o meu, cadê?
Será que esse mundo tem jeito?
Esse mundo cheio de preconceito.
Quando estou só, preso na minha solidão,
Juntando pedaços de mim que caíam ao chão,
Juro que às vezes nem ao menos sei, quem sou.
Talvez eu seja um tolo,Que acredita num sonho.
Na procura de te esquecer,Eu fiz brotar a flor.
Para carregar junto ao peito,E crer que esse mundo ainda tem jeito.
E como príncipe sonhador...
Sou um tolo que acredita, ainda, no amor.'

domingo, 29 de junho de 2008

25 anos de São João em Campina Grande e procuro a grandeza da festa no esgoto.

O fim da festa nomeada O Maior São João do Mundo encerra, em minha opinião, o período da mais forte proliferação dos elementos anti-culturais que melam a cultura nordestina com o que há de mais podre na cabeça de alguns idiotas.
É a Maior descaracterização do São João do Mundo (quem sabe do universo). Nem o mais prostituto filho da mãe da face da Terra poderia imaginar a apenas meio século que a música popular brasileira se tornasse essa gigantesca putaria sem pudor de conteúdo tosco (desculpem o vocabulário, às vezes sinto a necessidade de descer o nível).

Será possível!!!

Na noite de abertura da festa, vem Aviões do Forró, uma porcaria de banda que não faz mais do que uma pornô-chanchada com trilha sonora ao vivo. E cantou seus maiores sucessos: aquela que fala de cabaré, aquela que fala em putaria, aquela que fala em bebedeira e cachaça, a outra que trata de sexo (com gemidos e tudo mais) e aquelas roedeiras de amor de corno. Sem falar naquelas que são releituras de péssimo gosto de músicas internacionais.
E o pior é que a massa gosta disso! É o que mais me revolta! A população, as mulheres, os adolescentes!!! Sem falar que utilizam em seu nome do forró, sujando a imagem do ritmo pelo país inteiro.

E nem se lembra mais por aqui que São João é um santo e por isso a festa tem, queiramos ou não, uma conotação religiosa.

Não vou citar toda a programação do evento, não é esse o objetivo (falar que teve Gatinha Manhosa, Ferro na Boneca, Saia Justa, a péssima Saia Rodada, o retardado Louro Santos, que tocou axé na festa que favorece o forró, Mela Pinto, Garota Safada, etc.).
Evitarei aquela conversa fiada de “não tenho nada contra quem gosta”. Tenho mesmo TUDO CONTRA quem gosta, ora! Se não tivessem idiotas que gostassem de ser chamadas de raparigas, não haveria idiotas que executassem estas atrocidades verborrágicas acompanhadas de trilha sonora repetitiva e débil.

Claro que a festa tem a finalidade inicial do lucro, do lado financeiro de tudo. Afinal de contas, O Maior São João do Mundo foi criado com esta intenção, de elevar a economia deficiente da cidade de Campina Grande. Isto é fato.
O foco da coisa é a música, que não traz absolutamente nada de positivo para a sociedade, para a juventude, enfim, para o bem da nação.

“AHH! MAS EU SÓ ESCUTO POR CAUSA DO RITMO, PRA DANÇAR!!!”

Não importa! O que interessa é que esta imundície polui a cabeça de quem escuta. A música é um fortíssimo agente formador de consciências e o conteúdo é imensuravelmente grotesco. Não adianta dizer que este lixo não tem conteúdo, pois as músicas têm letras que, apesar de podres, influenciam, então têm conteúdo. Existe a conduta dos roqueiros, daqueles que preferem a chamada MPB (na linha Caetano, Gil, Djavan), dos pagodeiros e também dos “forrozeiros”.
A música tem poder e infelizmente neste caso está sendo utilizada para sujar a nossa sociedade.

Eu conheci um sul rio-grandense que afirmou só conhecer Calcinha Preta e Aviões do Forró de bandas de forró enquanto ainda habitava no seu estado. Isto é uma pena, pois a fuleragem se expande ao mesmo tempo em que promove a repulsa pelo forró daqueles que não conhecem a nossa cultura.

É uma pena ter de conviver com isso todos os dias, em todos os momentos.

Faltam-me palavras para exprimir meu descontentamento e minha indignação neste momento.
Aos caras que fazem essa “música”, desejo boa sorte, pois a jornada deles não é longa. Uma hora, essa onda vai se desfazer. O problema são os resquícios deixados, que sempre dão novos frutos.

O verdadeiro culpado pela poluição não é o lixo, e sim os que consomem o produto que o gerou. Por isso, à população alienada e imbecilizada eu desejo melhoras.
E até o próximo ano!

Lei contra bebida nas rodovias brasileiras: fogo de palha

Assinada no dia 19 de junho de 2008 pelo presidente da República, Luís Inácio da Silva, a nova lei contra bebida nas estradas do país é uma das polêmicas mais açucaradas do momento.
Em um primeiro momento, a lei é belíssima, uma ótima intenção; com certeza uma das mais promissoras, já que muitos acidentes acontecem por conta de embriaguês. Todo mundo sabe que não é aconselhável beber antes de dirigir. O álcool afeta diretamente o sistema nervoso central do indivíduo, interferindo negativamente na coordenação motora e nos reflexos.

Sendo a bebida alcoólica uma grande causa dos acidentes de trânsito no Brasil, já estava mais que na hora de alguém tomar uma atitude enérgica em relação a este contexto. A partir de agora, quem estiver conduzindo um veículo com o mínimo de teor alcoólico no organismo (2 decigramas de álcool por litro de sangue, o equivalente a um chope), terá de pagar uma multa de 955 R$ e no flagrante, perde a sua carteira de habilitação. Além do que, se o cidadão beber o equivalente a dois chopes, a punição será acrescida de prisão de seis meses a três anos.
Mas é necessário que enxerguemos destas informações que já são veiculadas desde o dia 19. Será que esta será a definitiva solução para o problema da combinação álcool e direção? O que os brasileiros estão achando desta nova lei? Quais serão os seus efeitos na sociedade?

Como alguém que não tem esperança de que o país vai um dia melhorar, acredito que esta nova lei (apesar da ótima intenção de reduzir uma estatística lastimável) vai ser somente mais um alimento para a pança da corrupção no Brasil.
Quem bebe, é óbvio, achou a lei muito rígida; quem não bebe e se sente ameaçado por um trânsito permeado de bêbados imprudentes, crê que a lei será a solução para seus problemas.

Prisão?!

Será esta a melhor alternativa para este caso? Num país com população carcerária que pede socorro por não ter onde pisar!
Pense na quantidade de policiais corruptos que temos na nossa sociedade...
E o caso do cidadão que nunca colocou uma gota de bebida alcoólica na boca mas por comer alguma coisa que continha álcool, foi preso e vai ter que iniciar um processo na justiça para limpar sua ficha!
Quem bebe deve pagar sim! Mas aqueles que se sentem donos da lei com certeza irão lucrar bem mais do que punir os verdadeiros infratores.
E quem já viu um riquinho ser devidamente punido pelos seus erros cometidos? Duvido que algum filhinho de papai fique preso por dirigir inebriado. Duvido que eles paguem. Os de condição financeira inferior sim, esses vão pagar.

Todos são iguais perante a lei sim, mas a lei é que não é igual perante todos.

Não acredito de maneira alguma que isso vá resolver os problemas das estradas brasileiras. A verdade é que nada disso funciona no Brasil, porque o jeitinho brasileiro sempre está por aí pra sujar a boa conduta.
Duvido que algo mude sem que os verdadeiros responsáveis por toda a situação que desencadeou a lei tomem consciência: o povo. Se o povo não tomar noção da sua responsabilidade ao volante, esta lei vai fazer efeito enquanto durar a polêmica; depois vai passar a ser só mais um fator pra contribuir com os jogos sujos de quem não tem compromisso com a prudência e com quem se alimenta da corrupção.

sábado, 28 de junho de 2008

Valei-me, São João!

Não é o ideal, logo eu falar em festejos. Mas, tendo em vista a evasão fruto das férias que nos assolam e a minha inquietação quanto ao assunto, achei por bem tratar, neste, das comemorações do mês de junho. Há que se reconhecer, o esforço é considerável, embora as intenções sejam diversas. Comemorar não se sabe exatamente o quê durante um mês inteiro é coisa a se admirar. Eu me admiro, pelo menos.

Sim, eu sei, as justificativas são sempre as mesmas anualmente. A economia pede, o turismo aquece o comércio, a cidade também precisa de eventos culturais deste tipo para manter-se. Justamente este o problema: a motivação primeira é, agora, puramente financeira. E não me venham com discursos prontos do capitalismo, prerrogativas para justificar a falta de originalidade que o sistema inevitavelmente implica.

Embora não seja a pessoa mais envolvida em manifestações culturais regionalistas, admiro e apóio a celebração à tradição e à cultura de raiz. Contudo, não é bem isso que eu vejo nesses “trinta dias de festa”. Para os mais farristas, a oportunidade é ímpar, sem dúvida. E eu, que das festas só consigo aproveitar as escassas conversas interessantes, fico procurando, feito cego, as manifestações culturais que servem de apelo aos turistas. Pura propaganda enganosa.

Gostaria mesmo de ver as comemorações espontâneas, sem planejamentos orçamentários, nem música artificialmente formulada para agradar uma multidão que deveria vir para desfrutar das atitudes naturais da cultura local. Tudo se resume a uma competição boba, entre cidades que podiam muito bem unir-se para algo maior. Em lugar disso, disputam para ver quem tráz o forró descartável mais em cima nas paradinhas de sucesso.

Antes fosse só a música. Fui ao Salão do Artesanato, localizado ao lado do Shopping Iguatemi, e lá encontrei réplicas de cangaceiros ornados com strass e uma mesa pela bagatela de R$ 2.300. Só turista mesmo, que não sabe bem o que é tudo aquilo e, muito pior, não sabe o que tudo aquilo deveria realmente ser, para pagar tanto por uma mesa informe, mas chique demais por ser considerada “rústica” por “quem entende de estilo”.

O Maior São João do Mundo, em Campina Grande, ganha cada vez mais modismos e perde cada vez mais charme.

terça-feira, 24 de junho de 2008

Geração de emprego através do transporte alternativo

O transporte alternativo se faz presente facilitando a locomoção da população, oferecendo geração de emprego e certa comodidade para quem mora distante dos grandes centros. Durante os festejos juninos, graças ao grande fluxo de pessoas na cidade os motoristas alternativos conseguem garantir um bom faturamento, já que as frotas de coletivos disponíveis são insuficientes para servir com qualidade e rapidez.

Apesar das árduas noites de trabalho, os motoristas ficam satisfeitos com a procura por seus serviços nessa época do ano. O São João garante, além das madrugadas em claro, uma fonte de geração de emprego com o transporte, a exemplo dos moto-taxistas, também irregulares em sua maioria.

Seu Dermeval dos Santos, 50, morador do bairro das Malvinas, é transportador em uma empresa de eletricidade. Quando sobra tempo, ou falta emprego, complementa sua renda com o transporte alternativo.

Ele acredita ser muito complicado trabalhar neste ramo, pois precisa sobreviver na ilegalidade e quando se é pego pela fiscalização, pode ser aplicada multa ou até mesmo haver a apreensão do veículo.

Com orgulho, demonstra ser defensor enérgico da legalização do transporte alternativo, pois como afirma “não faço nada irregular, só estou trabalhando. Meu carro é legalizado, não estou roubando ninguém e as pessoas usam o serviço por livre e espontânea vontade, não estou forçando ninguém a ir comigo”.

Seu Demerval conclui seu pensamento questionando o porquê de “um cidadão de bem, que paga seus impostos, é pai de família e precisa de um emprego, ter que estar fugindo da polícia? Que país é este, onde não se tem condições de trabalhar para sobreviver honestamente?”.

quinta-feira, 19 de junho de 2008

INOCHI

Há um século fomos batizados com uma cultura – dentre as inúmeras que fazem parte dessa coisa meio que generalizada demais, porém tão particular justamente por esse motivo, que é a identidade brasileira – a qual, por razões alheias ao meu conhecimento consciente, sempre me interessou bastante. E quando aprendi um ideograma no idioma desse povo, graças a uma amiga que me instigou a curiosidade, senti-me satisfeito por dominar ao menos um dos incontáveis caracteres da escrita japonesa.

INOCHI (命) foi o que descobri, cuja significação traduz-se por “vida”. Uma vida que começou em junho de 1908, no porto de Santos, São Paulo, ao desembarcarem do Kasato Maru 781 vidas que buscavam um recomeço para a vida que fora levada pelo impacto atômico da guerra.

A terra do sol nascente deu seu jeito de florescer aqui e, cem anos depois, me encanto com a idéia de que também posso ter, enquanto brasileiro nato que sou, uma ínfima porção dessa cultura tão serena e encantadora correndo em minhas veias. E qual a criança que, hoje, não se agrada daquilo que mais comumente se importa de lá, os quadrinhos (mangas) e as animações (animes)? Foi assim que comecei a me aproximar desse povo. Pena que seja somente isso que se vê mais amplamente difundido, além da chocante idéia de se comer peixe cru.

De certo não há só isso para se admirar no Japão, e devo admitir minha curiosidade acerca do país. Tem até príncipe herdeiro que, por sinal, veio comemorar o centenário do ingresso do seu país no nosso, aqui também.

Tem gente que repudia essa invasão. Dizem que somos diferentes demais para sermos compatíveis. Discordo totalmente, uma vez que já somos formados parte por eles e, além do mais, aceitar modos de vida diversos não implica necessariamente em desprezar o próprio. Parabéns ao Japão por toda essa vida que, deles, também influiu para moldar a nossa INOCHI (命).

terça-feira, 17 de junho de 2008

Vida de Cão (em clima de despedida)


Vinicius de Moraes. Poeta, músico, diplomata (nas horas vagas), boêmio, amante do uísque – seu melhor amigo, o “cachorro engarrafado”. Nove casamentos, incontáveis amigos, inúmeros parceiros musicais. Foi poeta e amou na vida.
Ainda assim, foi ele mais triste que os mais tristes. Palavras de quem entendia do assunto:

"Tristeza não tem fim/Felicidade sim"

"Quero dizer-vos minha tristeza/Minha saudade e a dor/A dor que há no meu canto"

"Eu sempre tive uma certeza/Que só me deu desilusão/É que o amor é uma tristeza/Muita mágoa demais para um coração"

"Se tu queres que eu não chore mais/Diga ao tempo que não passe mais"

"Ah, coração, infeliz até quando?/Para ser feliz/Tu vais morrer de dor"

"De repente não mais que de repente/Fez-se de triste o que se fez amante/E de sozinho que se fez contente."

"Ah, meu amor não vais embora/Vê a vida como chora, vê que triste esta canção"

"Sou eu, o poeta, quem diz/Vai e canta, meu irmão/Ser feliz é viver morto de paixão."

"Se não tivesse o amor/Se não tivesse essa dor/E se não tivesse o sofrer/E se não tivesse o chorar/Melhor era tudo se acabar"

"Eu nem sabia o que era o amor/Agora sei porque não sou feliz"

"Me faça sofrer/Ah me faça morrer/Mas me faça morrer de amar"

"É, meu amigo, só resta uma certeza, é preciso acabar com essa tristeza/É preciso inventar de novo o amor."

"Vai minha tristeza/E diz a ela que sem ela não pode ser"

"Eu vou sozinho sem carinho/Vou caminhando meu caminho/Vou caminhando com vontade de morrer"

"Minha alma é triste/Como o chão deste cerrado/Que se estende desolado/Por mil léguas de silêncio e solidão"

"Mas deixe a lâmpada acesa/Se algum dia a tristeza quiser entrar/E uma bebida por perto/Porque você pode estar certo que vai chorar"

"A tristeza tem sempre uma esperança/De um dia não ser mais triste não"

"Tristeza que vai, tristeza que vem/Sem você meu amor eu não sou ninguém."

"Pois seja muito feliz/Infeliz já sou eu/Pra sofrer sofro eu"

"É melhor se sofrer junto/Que viver feliz sozinho"

"Se chegue, tristeza/Se sente comigo/Aqui, nesta mesa de bar/Beba do meu copo/Me dê o seu ombro/Que é para eu chorar/Chorar de tristeza/Tristeza de amar."

Voltando aos cães, deles tiro a conclusão de que a tal felicidade, tão sonhada pelo poetinha, existe de fato.
Quando vejo a explosão de alegria de um cachorro de minha tia, apenas por saber que ela acaba de chegar a casa; ou seu olhar carente, plenamente recompensável com dois ou três afagos – correspondidos com eufóricos abanos de rabo; ou quando vai passear de carro até o petshop, três ou quatro quarteirões; ou quando recebe alguma comida atípica, diferente da ração habitual.
Tantas demonstrações de felicidade, originais e sinceras, levam-me a achar interessante a tal “vida de cão” – portanto, agradeço pelo gracioso adjetivo canino que tanto me oferecem.

Com o perdão das intertextualidades...
Caro Vinicius, você que inventou a tristeza, ora tenha a fineza de desinventar.
Caríssimo Deus, tu, que pra me jogar no mundo tinhas o mundo inteiro, por que me fizeste triste? Por que não me fizeste cão?

segunda-feira, 16 de junho de 2008

A César o que é de César

Por Juliana Leite
Falar em dignidade sobre qualquer aspecto, em um país como o Brasil em que significativa parte da população sobrevive em um estado de miséria, onde famílias inteiras compostas por cinco ou seis membros partilham de um único pão para o sustento de um dia inteiro, quando muito se tem, ou ainda, quando crianças de cinco anos, ou menos até, são submetidas ao trabalho escravo e desumano; no mínimo põe em questão temáticas enraizadas na sociedade e de cada ser a ela pertencente.

Somos reflexo de uma sociedade em colapso, que encontra-se tão deturpada, que necessário mesmo é que se adotem medidas, não de caráter perecedor e imediatista que alcancem apenas as folhas visivelmente podres da referida instituição. Precisamos, de fato, de medidas urgentes e transformadoras, podendo inclusive dizer revolucionárias e bem pensadas, que transpasse as mazelas visíveis e penetrem até as ervas daninhas, para atenuar, e quem sabe pôr fim, as devastadoras desigualdades sociais e econômicas que assolam toda a nação.

Precipuamente, devemos nos questionar quanto à aplicabilidade e eficácia, ou não, da Lei maior vigente, que é a Constituição Federal, que rege o Estado Democrático de Direito no qual vivemos. Uma vez que ela existe sob o pressuposto de solucionar, pacificamente, as controvérsias existentes no complexo social, e é ela que institui todas as garantias - a vida, a liberdade, a educação, a saúde, a moradia, o lazer, a segurança, a assistência aos desamparados - e direitos, assim como estabelece os deveres, individuais e coletivos.

Dentre muitos dos princípios fundamentais elencados na nossa Constituição Federal, verifica-se o da dignidade, compreendendo esta como as condições, no mínimo, básicas para a subsistência de qualquer ser humano independente de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação; a qual nos permite concluir que além de sermos todos iguais perante a lei, ela também deve ser garantidora da estabilidade social e humana.

Já em desuso, o antigo método do “olho por olho, dente por dente”, nominalmente conhecido por Código de Hamurabi, no qual todos os litígios surgidos no convívio social eram solucionados pelo próprio particular, ficando a seu critério a aplicação de sanções muitas das vezes de caráter cruel, como bem evidencia o lema do referido Código, o qual buscava retribuir em semelhante intensidade o dano sofrido pela vitima, ao causador. Superada essa fase, o Estado chamou para si a responsabilidade de, de forma parcial interferir na relação entre particulares, visando assegurar os direitos sociais e individuais das partes, todavia, aplicando sanções não mais infundadas, e sim respeitando a legalidade, ou seja, as leis postas.

Na prática, o meio pelo qual, atualmente, podemos argüir e reivindicar alguma pretensão sob a finalidade de dirimir conflitos é através do Poder Judiciário, por intermédio dos seus órgãos judicantes, que, vergonhosamente, estão assoberbados com um amontoado de processos, devido à burocracia que prevalece no sistema jurisdicional brasileiro.

Por fim, no momento em que o Estado fizer valer o que consta na nossa Carta Magna, prestando a devida assistência, fazendo investimentos adequados, a começar da educação, veremos um marco na história do Brasil; o rompimento da atual estrutura, em paralelo com o processo de conscientização da população, com a qual esta poderá usufruir de capacitação suficiente para que se construa uma nova realidade que refletirá diretamente na própria sociedade.
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Comentário final: contextualizado em notícias que ouvi nessa manhã pela rádio, que em um breve retrospecto comentaram: o recente apagão aéreo, a CPI dos cartões coorporativos, dentre inúmeras outras CPI’s que de nada valeram, e no iminente caos no sistema penitenciário brasileiro, que sem sombra de dúvidas será tema para capas e manchetes de jornais, mas que novamente veremos prevalecer a inércia e a incompetência do Estado no qual vivemos.

domingo, 15 de junho de 2008

Pare, olhe, escute, desligue.

Assistir TV é hábito nacional, isso não se pode negar. Tampouco pode-se contestar a força que a programação exerce sobre as pessoas de menos impulso crítico. Mas inegável mesmo é a falta de programação instigante para quem procura na pretensamente chamada “caixa mágica” algo além do que imagens brancas de relevâncias e palavras mudas de um mínimo de raciocínio. A única mágica que tenho admirado na TV, ultimamente, é o poder absoluto de um único botãozinho, geralmente o primeiro na diagramação dos controles remotos, o qual me dota da tão maravilhosa capacidade de desligar o aparelho.

Aberta ou a cabo, não importa. A diferença entre estas é que na última paga-se para desligar o aparelho. Tantas as alternativas: escolher sempre entre o nada e o coisa alguma, entre centenas de canais nos quais nunca se passa mais de quinze minutos sem se sentir tentado – seja pela monotonia recorrente das apresentações, seja pela imbecilidade de achar que o dinheiro desprendido deve ser valorizado dando atenção a todas as opções pelas quais se paga para não prestigiar – a dar uma olhadinha no que o canal vizinho tem a oferecer, o que vem a ser, sempre, um outro convite para o próximo e o próximo e mais outro, até completar a volta e chegar ao canal de partida, no meio de uma atração da qual não se entende nada: primeiro porque mais quinze minutos se passaram desde que este primeiro canal foi deixado para a volta olímpica do controle remoto; segundo porque simplesmente nunca se precisa entender realmente o que há na TV, basta fitar, ouvir e babar.

Obviamente, nem tudo é um inferno. Mas chegar ao paraíso é, como de costume ouvimos pelos religiosos, trabalho árduo e sacrificante. Porque as fórmulas são sempre as mesmas, réplicas de tudo que se copia, refaz, imita em todo lugar. Redundância visual que descartaria a necessidade acima descrita de vasculhar as inúmeras opções, não fosse a alienação de que caracteres diferentes e musiquinhas abobalhantes fazem completa diferença no conteúdo. Assistir TV com alguma originalidade tem sido raro, devido à crença – que não sei de onde diabos surgiu – de que a audiência clama por esterilização e uniformidade.
Sidney Andrade, meio confuso, todo instável.